Café moído caiu 3,72%. Frutas recuaram 1,58%. Carnes baixaram 0,64%. Óleo de soja, tomate, açaí: todos no vermelho de queda em junho.
O IBGE divulgou em 10 de julho de 2026 que a inflação oficial de junho ficou em 0,16%, o menor resultado desde outubro de 2025. No grupo alimentação e bebidas, a variação foi de -0,24%. É a primeira deflação do carrinho desde novembro de 2025.
Parece boa notícia. E é. Mas para quem?
Para o dono de supermercado que não tem dado do cliente, essa queda vai aparecer como um caixa ligeiramente melhor. Um alívio. Um mês que "foi bem" sem que ninguém soubesse exatamente por quê.
Para quem opera com CRM, é outra história. É uma janela de oportunidade para criar vínculo de verdade, antes que os preços voltem a subir.
O que o IPCA de junho diz para o seu supermercado
A deflação de alimentos é um evento raro. A última vez que o grupo de alimentação e bebidas recuou havia sido em novembro de 2025. Isso significa que os produtos que mais pesam no carrinho do cliente comum, café, frutas, carne, óleo, tomate, ficaram mais baratos na virada do primeiro para o segundo semestre.
O cliente chegou ao caixa em junho pagando menos. E quando o cliente paga menos, ele não vai embora agradecido. Ele vai embora satisfeito com o preço. Mas não necessariamente fiel a você.
Nesse ponto mora a diferença entre o supermercado que tem dado e o que não tem.
A armadilha do alívio
Quando os preços caem, todo supermercado vai bem. Movimento melhora um pouco, ticket médio sustenta, o cliente compra mais volume nas categorias que baratearam. Parece que a loja performou sem fazer nada diferente.
Esse é o perigo.
O supermercado que não tem dado não sabe quem veio, quanto comprou, o que levou e quando deve voltar. Só sente o caixa. E o caixa, nesse caso, mente por omissão: ele mostra o resultado, mas não mostra o cliente.
O supermercado que tem CRM vê outra coisa: quais clientes voltaram depois de dois meses sumidos, quais ampliaram o ticket porque o café barateou, quais experimentaram frutas que não compravam antes porque o preço baixou para dentro da faixa deles.
Quando você enxerga esse movimento, pode fazer algo que a concorrência não vai fazer: comunicar no momento certo, para a pessoa certa.
Como transformar deflação em vínculo
Imagine que você sabe que um grupo de clientes comprou café moído regularmente nos últimos três meses. Agora ele está mais barato. Você manda uma mensagem simples no WhatsApp: "Oi, o café que você sempre leva está com um preço bem melhor essa semana. Te esperamos."
Isso não é promoção no sentido clássico. É sinal de que a loja prestou atenção. O cliente sente que você lembra dele, sabe o que ele compra, e avisou antes de qualquer concorrente. Isso é o começo da fidelização de verdade.
Sem CRM, você baixou o preço para todo mundo sem saber para quem. Com CRM, você usou o dado para criar um momento de vínculo personalizado. O preço foi o gatilho. A relação é o que fica.
Essa é a tese que a Coffart opera com seus clientes: marketing não é encarte bonito. É oferta com contexto e dado que vira decisão, e depois vira recorrência.
O que acontece quando o preço sobe de novo
O IPCA acumulado em 12 meses até junho era de 4,64%, ainda acima da meta do governo de 4,5%. A projeção do mercado financeiro para o fechamento de 2026 é de 5,3%, segundo o Relatório Focus do Banco Central de 6 de julho.
Ou seja: a janela de deflação é temporária. A tendência é que os preços voltem a pressionar o carrinho ainda este ano.
Quando isso acontecer, o cliente sem vínculo vai comparar preço e ir para onde for mais barato. O cliente com vínculo, aquele que recebeu sua mensagem quando o café barateou, aquele que sente que a loja o conhece, vai dar uma segunda chance antes de trocar de bandeira.
Esse é o valor real do CRM em momento de deflação: não é para vender mais agora. É para construir resistência na relação quando o mercado apertar de novo. Quem planta no alívio colhe na crise.
Erros comuns nessa janela
Baixar preço sem comunicar. O cliente sente no caixa, mas não associa à sua loja. Ele percebe o alívio, mas não percebe você. Oportunidade de vínculo perdida.
Comunicar para todo mundo igual. Disparar um encarte genérico de "frutas em oferta" para toda a base é melhor do que nada, mas perde o ponto. A força está em comunicar certo para quem compra aquela categoria. O cliente que nunca levou frutas não vai responder. O que levava toda semana, sim.
Esperar o movimento vir sozinho. Deflação gera movimento. Mas movimento sem dado é só caixa. Você não sabe se foi o mesmo cliente voltando ou se foi novo, e não sabe como manter.
Não capturar CPF de quem veio nesse período. Se o cliente entrou em junho atraído pelos preços e você não registrou quem foi, perdeu a base para a próxima campanha. Deflação é o momento mais fácil para convencer o cliente a entrar no clube: ele está satisfeito, pagou menos, está de bom humor. É a hora de pedir o CPF.
O que fazer amanhã
Isso não precisa de sistema caro ou time grande. Começa com três ações simples:
Primeira: cheque quais categorias baratearam mais no seu fornecedor nas últimas semanas. Café, frutas, óleos e carnes são boas apostas com base nos dados de junho. Veja quais delas têm movimento recorrente na sua loja.
Segunda: veja na sua base quem comprou essas categorias nos últimos 90 dias e não voltou. Esses são os clientes para comunicar agora, enquanto o preço ainda está a favor. Uma mensagem direta, citando o produto que aquela pessoa compra, tem taxa de retorno muito maior do que encarte genérico.
Terceira: garanta que quem vier à loja essa semana saia com CPF cadastrado. Deflação é o momento mais fácil para convencer: o cliente está no bom humor de quem pagou menos. Diga que o clube avisa quando o produto favorito dele entrar em oferta. Isso não é mentira: é o que um clube de vantagens bem estruturado faz.
A loja que entrar em agosto com uma base de dados atualizada vai ter uma vantagem real quando a inflação voltar a pressionar.
O mercado deu uma janela. O que você faz com ela?
Junho de 2026 foi um mês raro: alimentos mais baratos, carrinho mais leve, cliente mais relaxado. Essa janela não vai durar. A projeção para o fim do ano indica que a pressão volta.
Quem usou esse período para construir dado e relação vai estar em vantagem quando o cenário endurecer. Quem só curtiu o alívio vai começar do zero quando o cliente comparar preço e ir embora.
A diferença entre os dois não está no tamanho da loja, no orçamento de marketing ou na sofisticação da operação. Está em saber o nome do cliente, o que ele compra e quando falar com ele. Para isso, basta começar.