Junho foi bom para o varejo alimentar. O IBGE divulgou, em 13 de agosto de 2026, que o segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimenticios, bebidas e fumo cresceu 1,1% na comparacao com maio. Foi o setor que mais pesou para puxar o varejo restrito para o campo positivo.
Mas antes de comemorar, vale olhar o dado que ficou em segundo plano na nota do instituto.
O movimento de 2026 que todo dono de mercado ja conhece
O gerente da pesquisa do IBGE, Cristiano Santos, descreveu assim o desempenho do setor ao longo do ano: "um mes devolvendo o crescimento ou a queda do outro."
Veja a sequencia: janeiro 0,3%, fevereiro 1,4%, marco -1,3%, abril 1,4%, maio -1,4%, junho 1,1%.
Sobe. Desce. Sobe. Desce.
Isse nao e aleatorio. E o varejo alimentar surfando na variacao de preco. Em junho, o que moveu a agulha foi uma deflacao de 0,39% nos precos de alimentacao no domicilio, depois de uma alta de 1,65% em maio. Quando o preco sobe, o volume cai. Quando o preco recua, o volume sobe. O faturamento aparece no IBGE. Mas quem controlou isso foi o IPCA, nao o supermercadista.
E e exatamente ai que mora o problema para o independente.
O que a montanha-russa revela sobre o controle da propria venda
Quando o faturamento da loja acompanha os humores da inflacao, o supermercadista virou passageiro do proprio negocio.
O movimento de compra nao esta sendo criado pela loja. Esta sendo empurrado pelo preco la fora. Quando a carne fica cara, o cliente muda o carrinho. Quando o frango barateia, ele volta. Mas nao necessariamente para a sua loja.
A pergunta que fica: quantos dos clientes que apareceram em junho voce sabe quem sao?
Quantos tem nome, CPF, historico de compra e um clube ativo que cria razao para voltar toda semana, independente do preco do quilo de tomate?
Frequencia criada pela loja, nao pelo mercado
O segmento de supermercados e o de maior peso no varejo restrito, segundo o IBGE. Isso significa que a loja de bairro, a rede regional e o mercadao do bairro tem mais influencia na economia brasileira do que qualquer outro formato de varejo.
Mas essa influencia se esvai quando a loja opera de forma reativa.
A diferenca entre um supermercado que cresce de forma consistente e um que sobe e desce com o IBGE e simples: um conhece o cliente. O outro conhece o giro.
Conhecer o cliente significa saber:
- quantas vezes ele compra por mes
- quais departamentos ele visita com regularidade
- quando ele sumiu e por que
- como puxar ele de volta antes de perder para o concorrente ou para o atacarejo da esquina
Isse nao e CRM sofisticado. E o basico que o mercado de bairro fazia quando o dono conhecia todo mundo pelo nome. A diferenca e que hoje a loja tem 500, 2.000 ou 10.000 clientes. E o dado substitui a memoria do dono.
O que o independente pode fazer diferente dos grandes
Os volumes do IBGE somam redes, hipermercados, atacarejos e independentes juntos. Quando o dado cai, o independente sente mais, porque tem menos gordura operacional e menos verba de comunicacao para sustentar o fluxo. Quando o dado sobe, ele precisa trabalhar mais para nao perder a onda para o formato que tem mais presenca em midia.
Mas o independente tem uma vantagem que o hipermercado nunca vai ter: proximidade.
O cliente do bairro vai ao mercado da esquina com mais frequencia do que ao hipermercado. A missao de compra e menor, a repeticao e maior. O problema e quando essa frequencia existe mas nao e registrada, estimulada e transformada em relacionamento com dado.
Um clube de fidelidade bem rodado cria um piso de frequencia que nao depende do IPCA do mes. O cliente com clube ativo visita a loja com mais regularidade do que o cliente sem cadastro. E quando o preco de alimentacao sobe la fora, a loja que tem clube nao perde o cliente para o concorrente que fez a oferta do dia. Ela tem um canal direto para comunicar, um historico para personalizar e uma relacao que vale mais do que o preco do frango.
Os erros que aparecem quando o dado vai bem
Quando o IBGE mostra crescimento, o risco do independente e relaxar. "Junho foi bom." Mas o dado do IBGE nao e o dado da sua loja. E o dado do setor.
Os erros mais comuns nesse momento:
- Olhar o faturamento total sem abrir quem comprou e com que frequencia
- Celebrar crescimento de ticket sem saber se foi preco ou volume real
- Nao aproveitar o pico para capturar CPF e construir base ativa
- Deixar o cliente que apareceu em junho sumir em julho sem nenhuma regua de recuperacao
O mes bom e o melhor momento para construir base. O cliente esta na loja, esta comprando, esta disposto. Se voce nao captura o CPF agora, voce vai depender do IBGE de novo para saber se ele voltou.
O que fazer essa semana
Se o dado do IBGE de junho chegou ate voce, use ele como provocacao, nao como conclusao.
- Abra o relatorio de clientes ativos de junho na sua loja. Quantos tem CPF registrado?
- Separe quem comprou em junho e nao voltou em julho. Essa e a base para a primeira regua de recuperacao.
- Calcule a frequencia media de compra dos clientes cadastrados versus os nao cadastrados. A diferenca vai aparecer.
- Se voce nao tem clube ativo, e hora de resolver isso. Nao porque o IBGE subiu. Porque na proxima vez que o dado descer, voce vai querer ter piso proprio.
A Coffart opera CRM e clube de fidelidade com base no dado real da sua loja. Se quiser entender como isso funciona na pratica, o Coffchat e o caminho mais rapido.