O cliente que compra whey todo mês passou pela sua loja na semana passada.
Ele pegou o iogurte grego, olhou para o corredor de freezer e não viu o picolé proteico que você acabou de receber. Saiu sem levar.
Você perdeu a venda. E nem sabia que ele estava lá.
Isso é o que acontece quando uma tendência cresce mais rápido do que a comunicação da loja acompanha.
A proteína saiu do corredor de suplementos e invadiu categorias que ninguém esperava: cerveja sem álcool com 10g de proteína (Ambev, lançada em agosto de 2026), picolé com 15g (Cimed, setembro de 2026) e barrinha de Prestígio reformulada com 11g (Nestlé em parceria com a Nutrata). Foram três lançamentos relevantes em menos de dois meses, todos com repercussão nas redes sociais.
Segundo a diretora de Marketing dos Supermercados Dalben, Fernanda Dalben, quando "proteína" passa para a frente da embalagem, ela funciona "quase como um novo código de leitura para o consumidor". Em uma gôndola com muitas opções, atributos claros simplificam a decisão de compra.
A gestora da área de produtos saudáveis dos Supermercados Mundial, Vanessa Castro, completa: "Quando produtos que já faziam parte da rotina passam a destacar esse atributo no rótulo, eles ganham mais relevância e ampliam o público da categoria, porque não exigem uma mudança tão grande de hábito."
Fonte: Mercado e Consumo, 5 de outubro de 2026. URL: https://mercadoeconsumo.com.br/05/10/2026/noticias-varejo/cerveja-picole-e-barrinha-agora-tudo-tem-proteina/
O produto chegou. A pergunta que o dono de mercado precisa responder agora é: quem na minha base compra isso? E como eu falo com essa pessoa antes do concorrente?
O que mudou na gôndola e por que isso importa para você
A proteína deixou de ser coisa de academia. Ela virou atributo de decisão de compra para um consumidor muito mais amplo: a pessoa que está tomando medicamento para emagrecer (as "canetas"), o adulto que começou a malhar depois dos 40, a mãe que quer dar mais proteína para o filho sem brigar na hora da refeição.
Isso significa que seu cliente que compra atum em lata, iogurte grego e queijo cottage provavelmente tem perfil para experimentar a cerveja sem álcool proteica. Mas você precisa de dado para saber quem ele é.
Sem CPF no caixa, sem club ativo, sem histórico de compra, você está chutando. E chute no varejo tem custo.
Como o CRM resolve o que o encarte não resolve
Encarte anuncia para todo mundo. CRM fala com quem já comprou.
A diferença parece simples, mas é o que separa a loja que vira referência em alimentação saudável na praça daquela que só segura prateleira.
O caminho é direto:
Passo 1: Identificar na base quem compra produtos proteicos recorrentes, como whey, iogurte grego, atum, ovos em volume, frango em grandes quantidades.
Passo 2: Criar um segmento desse cliente no CRM.
Passo 3: Montar uma comunicação específica para esse segmento quando chegar produto novo com apelo proteico, seja via WhatsApp, push do clube ou mensagem no caixa.
Passo 4: Acompanhar se o cliente que recebeu a comunicação converteu. Se não converteu, testar abordagem diferente. Se converteu, medir se ele voltou para comprar de novo.
Isso é o que transforma tendência em recorrência. E recorrência é o que paga a conta.
Para entender melhor como montar essa estrutura de CRM, veja como a Coffart opera o marketing digital para supermercados.
Organizar a categoria proteica na loja: o que poucos fazem
A maioria dos supermercados coloca o produto novo na gôndola e espera o cliente achar.
O que funciona de verdade:
- Criar uma comunicacao visual de categoria que conecte produtos espalhados pela loja: o whey no corredor de suplementos, o picolé no freezer, o iogurte no frio, a cerveja proteica na bebidas. O cliente proteico transita por todos esses corredores, mas a loja raramente conecta os pontos.
- Treinar o açougue e a padaria para oferecer corte alto em proteína quando o cliente perguntar por opção saudável.
- Usar o club para premiar quem compra da categoria com frequência, não só quem compra volume alto.
O cliente que consome proteína tende a ter ticket mais alto, frequencia maior e fidelidade acima da media. Vale o esforco de organizar.
Erros comuns de quem tenta surcar essa onda
Colocar o produto sem comunicar. A loja recebe o lançamento, coloca na gôndola e não faz nada. O produto encalha e a culpa vai para o fornecedor.
Comunicar para todo mundo. Mandar mensagem de cerveja proteica para a base inteira, incluindo quem nao bebe, nao malha e nao se interessa por proteina, gera rejeicao e descadastramento.
Confiar só no rótulo. O rótulo atrai quem já está buscando. Comunicação proativa cria demanda em quem ainda nao sabe que quer.
Medir só venda da categoria. O que importa medir é se o cliente que comprou o produto proteico novo voltou na semana seguinte e o que mais ele levou. Isso é o dado que guia a próxima acao.
O que fazer amanhã de manhã
- Abra o relatório de CRM ou clube e filtre quem comprou whey, iogurte grego, atum ou suplemento nos últimos 60 dias.
- Veja quantas pessoas estão nesse segmento.
- Anote quais produtos proteicos novos você tem na loja agora.
- Monte uma mensagem simples: "Oi [nome], novidade no mercado: chegou [produto]. Você que curte alimentacao saudável vai gostar. Vem conferir."
- Dispara para o segmento. Mede retorno.
Se você nao tem CRM ativo ou base identificada, esse é o sinal para começar agora. O movimento de proteína nao é modinha. É uma mudanca de comportamento que veio para ficar, e quem tiver dado para acompanhar vai sair na frente.