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CRM e Dados

Proteína na gôndola: quem tem dado vende mais

GMPor Gaal Moura
·5 de outubro de 2026 ·6 min de leitura
Proteína na gôndola: o supermercadista que tiver dado vai vender mais do que quem só colocou o produto na prateleira

O cliente que compra whey todo mês passou pela sua loja na semana passada.

Ele pegou o iogurte grego, olhou para o corredor de freezer e não viu o picolé proteico que você acabou de receber. Saiu sem levar.

Você perdeu a venda. E nem sabia que ele estava lá.

Isso é o que acontece quando uma tendência cresce mais rápido do que a comunicação da loja acompanha.

A proteína saiu do corredor de suplementos e invadiu categorias que ninguém esperava: cerveja sem álcool com 10g de proteína (Ambev, lançada em agosto de 2026), picolé com 15g (Cimed, setembro de 2026) e barrinha de Prestígio reformulada com 11g (Nestlé em parceria com a Nutrata). Foram três lançamentos relevantes em menos de dois meses, todos com repercussão nas redes sociais.

Segundo a diretora de Marketing dos Supermercados Dalben, Fernanda Dalben, quando "proteína" passa para a frente da embalagem, ela funciona "quase como um novo código de leitura para o consumidor". Em uma gôndola com muitas opções, atributos claros simplificam a decisão de compra.

A gestora da área de produtos saudáveis dos Supermercados Mundial, Vanessa Castro, completa: "Quando produtos que já faziam parte da rotina passam a destacar esse atributo no rótulo, eles ganham mais relevância e ampliam o público da categoria, porque não exigem uma mudança tão grande de hábito."

Fonte: Mercado e Consumo, 5 de outubro de 2026. URL: https://mercadoeconsumo.com.br/05/10/2026/noticias-varejo/cerveja-picole-e-barrinha-agora-tudo-tem-proteina/

O produto chegou. A pergunta que o dono de mercado precisa responder agora é: quem na minha base compra isso? E como eu falo com essa pessoa antes do concorrente?

O que mudou na gôndola e por que isso importa para você

A proteína deixou de ser coisa de academia. Ela virou atributo de decisão de compra para um consumidor muito mais amplo: a pessoa que está tomando medicamento para emagrecer (as "canetas"), o adulto que começou a malhar depois dos 40, a mãe que quer dar mais proteína para o filho sem brigar na hora da refeição.

Isso significa que seu cliente que compra atum em lata, iogurte grego e queijo cottage provavelmente tem perfil para experimentar a cerveja sem álcool proteica. Mas você precisa de dado para saber quem ele é.

Sem CPF no caixa, sem club ativo, sem histórico de compra, você está chutando. E chute no varejo tem custo.

Como o CRM resolve o que o encarte não resolve

Encarte anuncia para todo mundo. CRM fala com quem já comprou.

A diferença parece simples, mas é o que separa a loja que vira referência em alimentação saudável na praça daquela que só segura prateleira.

O caminho é direto:

Passo 1: Identificar na base quem compra produtos proteicos recorrentes, como whey, iogurte grego, atum, ovos em volume, frango em grandes quantidades.

Passo 2: Criar um segmento desse cliente no CRM.

Passo 3: Montar uma comunicação específica para esse segmento quando chegar produto novo com apelo proteico, seja via WhatsApp, push do clube ou mensagem no caixa.

Passo 4: Acompanhar se o cliente que recebeu a comunicação converteu. Se não converteu, testar abordagem diferente. Se converteu, medir se ele voltou para comprar de novo.

Isso é o que transforma tendência em recorrência. E recorrência é o que paga a conta.

Para entender melhor como montar essa estrutura de CRM, veja como a Coffart opera o marketing digital para supermercados.

Organizar a categoria proteica na loja: o que poucos fazem

A maioria dos supermercados coloca o produto novo na gôndola e espera o cliente achar.

O que funciona de verdade:

  • Criar uma comunicacao visual de categoria que conecte produtos espalhados pela loja: o whey no corredor de suplementos, o picolé no freezer, o iogurte no frio, a cerveja proteica na bebidas. O cliente proteico transita por todos esses corredores, mas a loja raramente conecta os pontos.
  • Treinar o açougue e a padaria para oferecer corte alto em proteína quando o cliente perguntar por opção saudável.
  • Usar o club para premiar quem compra da categoria com frequência, não só quem compra volume alto.

O cliente que consome proteína tende a ter ticket mais alto, frequencia maior e fidelidade acima da media. Vale o esforco de organizar.

Erros comuns de quem tenta surcar essa onda

Colocar o produto sem comunicar. A loja recebe o lançamento, coloca na gôndola e não faz nada. O produto encalha e a culpa vai para o fornecedor.

Comunicar para todo mundo. Mandar mensagem de cerveja proteica para a base inteira, incluindo quem nao bebe, nao malha e nao se interessa por proteina, gera rejeicao e descadastramento.

Confiar só no rótulo. O rótulo atrai quem já está buscando. Comunicação proativa cria demanda em quem ainda nao sabe que quer.

Medir só venda da categoria. O que importa medir é se o cliente que comprou o produto proteico novo voltou na semana seguinte e o que mais ele levou. Isso é o dado que guia a próxima acao.

O que fazer amanhã de manhã

  1. Abra o relatório de CRM ou clube e filtre quem comprou whey, iogurte grego, atum ou suplemento nos últimos 60 dias.
  2. Veja quantas pessoas estão nesse segmento.
  3. Anote quais produtos proteicos novos você tem na loja agora.
  4. Monte uma mensagem simples: "Oi [nome], novidade no mercado: chegou [produto]. Você que curte alimentacao saudável vai gostar. Vem conferir."
  5. Dispara para o segmento. Mede retorno.

Se você nao tem CRM ativo ou base identificada, esse é o sinal para começar agora. O movimento de proteína nao é modinha. É uma mudanca de comportamento que veio para ficar, e quem tiver dado para acompanhar vai sair na frente.

GM
Gaal Moura

Gaal Moura é fundadora da Coffart, agência especializada em marketing para supermercados. Há mais de 10 anos ajuda redes independentes a crescer com dado, CRM e comunicação com intenção.

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Perguntas frequentes

FAQ

Preciso ter uma seção exclusiva de proteína na loja?
Não necessariamente. O que funciona é conectar os produtos proteicos espalhados pela loja por meio de comunicação visual e CRM. Uma ilha temporária ou um talker de categoria já ajuda a chamar atenção, mas o mais importante é saber quem compra e falar com essa pessoa diretamente.
Como sei se meu cliente tem perfil proteico sem CRM?
Sem CRM você opera no chute. O mínimo necessário é identificar o cliente pelo CPF no caixa e registrar o que ele compra. Com isso, você consegue segmentar por comportamento de compra, mesmo que de forma básica.
Esses produtos proteicos novos vendem de verdade no supermercado de bairro?
Depende da praça e do perfil do seu cliente. A tendência é real e crescente, confirmada por gestoras de redes como Dalben e Mundial. Mas a resposta certa vem do seu dado: olhe o que seu cliente já compra antes de apostar em estoque.
Como comunicar produto proteico sem parecer forçado?
Conecte o produto a uma necessidade real do cliente. Evite jargão de academia. Fale de praticidade, sabor e rotina. A cerveja proteica não é para quem quer ficar grandão: é para quem quer aproveitar o fim de semana sem abrir mão do cuidado com o corpo.
Qual o primeiro passo para montar uma estratégia de categoria proteica?
Levante o que você já vende de produtos com apelo proteico e quem compra. Depois mapeie os lançamentos que chegaram ou vão chegar. Com esses dois dados, você consegue montar uma comunicação segmentada antes de investir em estoque maior.