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Gestão & Margem

Varejo caiu em junho. O mercado que tem dado do cliente vai passar melhor por isso

GMPor Gaal Moura
·11 de julho de 2026 ·6 min de leitura
Varejo recuou 2,8% em junho: o supermercado que tem dado do cliente resiste

Junho acabou. E o resultado que saiu essa semana não estava no roteiro de ninguém.

O Índice Cielo do Varejo Ampliado apontou queda real de 2,8% nas vendas em junho de 2026. O pior resultado para o mês desde 2020, quando o país estava no meio da pandemia. Copa do Mundo, festas juninas, Dia dos Namorados: nada foi suficiente para segurar o movimento.

Se você é dono de supermercado, provavelmente sentiu isso no giro. Talvez no fluxo de caixa. Talvez na sensação de que a loja estava cheia mas o ticket sumiu.

Agora vem a pergunta que separa dois tipos de mercado:

Você sabe quem foi embora?

O que o dado do ICVA está dizendo de verdade

O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) mede o volume de vendas com cartão em todo o Brasil. É uma das referências mais rápidas que o setor tem para leitura de comportamento de consumo.

Em junho de 2026, o índice registrou queda real de 2,8%. No acumulado do semestre, o varejo acumula recuo de 2,2%.

O que explica isso: a pressão inflacionária sobre a renda das famílias. Com menos dinheiro sobrando, o consumidor cortou o gasto em categorias não essenciais. Lazer e mobilidade foram os mais impactados. O varejo físico cresceu apenas 1% nominal, enquanto o canal online avançou 9,2%.

O supermercado está numa posição diferente do varejo em geral: vende o essencial. Mas isso não significa imunidade. Significa que o cliente continua indo, mas o que ele compra muda. O ticket cai. A frequência oscila. Categorias inteiras perdem giro.

E quem não tem dado não vê nada disso acontecer.

Por que supermercado sente diferente do varejo geral

O varejo de moda, eletronics e lazer é mais volátil. Quando a renda aperta, o consumidor simplesmente para de comprar. O supermercado não perde o cliente da mesma forma. Mas perde a rentabilidade.

O que acontece na prática:

O cliente troca carne por frango. Troca a marca preferida pela mais barata da gôndola. Para de levar dois e leva um. Deixa de comprar na feira do hortifrúti e vai ao atacarejo na semana seguinte.

Nenhuma dessas mudanças aparece no fluxo de caixa do dia. Aparecem no dado do mês. E só aparecem se você estiver olhando.

Se você pede CPF no caixa e tem um clube ativo, você enxerga essa mudança em tempo real. Se não pede, você só vai descobrir quando o resultado do trimestre vier ruim.

O que muda quando você sabe quem comprou ontem

Vamos falar de forma direta.

Se você tem os dados de comportamento de compra dos seus clientes, você consegue fazer perguntas que a maioria do mercado não consegue.

Quem comprava toda semana e sumiu nos últimos 21 dias? Esse cliente foi pro concorrente ou só está apertado? Dá para trazer de volta com uma oferta no WhatsApp ou uma ação no clube.

Quem aumentou o ticket em junho mesmo com o mercado caindo? Esse cliente está fidelizado. O que ele compra? Essa cesta pode virar base de uma campanha para parecidos.

Quem está comprando menos carne mas mais frango? Esse dado vira pedido de negociação com fornecedor. Vira posicionamento de gôndola. Vira oferta certa no canal certo.

Quem está usando o clube mas não está aproveitando os pontos? Comunicação ativada, recorrência aumenta.

Só parece simples. Na prática, é o que separa o mercado que vai crescer nesse cenário do que vai reduzir a margem tentando competir no preço sem saber com quem está brigando.

Como a Coffart opera isso junto com as lojas que atende: a gente usa o clube de vantagem como motor de captura de dado, conecta com a régua de CRM e a comunicação pelo CoffChat, e acompanha a variação de comportamento todo mês. Não é intuição. É leitura.

Os erros mais comuns quando o mercado aperta

Quando o movimento cai, o movimento instintivo de quase todo dono de supermercado é o mesmo:

jogar uma oferta no encarte, mandar um disparo no WhatsApp para todo mundo e baixar o preço do produto âncora para aparecer.

Funciona no curto prazo. Às vezes. Mas tem um custo: você tá disputando na guerra de preço sem saber se a sua base está indo embora ou só comprando menos. E quem perde guerra de preço com atacarejo sem margem nem experiência para compensar?

Erro 1: tratar todo cliente igual na hora de se comunicar. O cliente que sumiu há 30 dias precisa de uma abordagem. O que está comprando toda semana precisa de outra. Disparar a mesma mensagem para os dois é desperdiçar os dois.

Erro 2: achar que movimento na loja é sinal de saúde. Loja cheia com ticket caindo é sinal de atenção. O cliente está lá, mas comprando menos. Se você não mede isso, não vai entender de onde vem a queda.

Erro 3: só olhar o resultado no fim do mês. O dado tem que ser semanal. Às vezes diário. Queda de frequência de um grupo de clientes específico, detectada cedo, ainda dá tempo de agir. No fim do mês, só dá para lamentar.

Erro 4: não pedir CPF porque o cliente reclama. O supermercadista que está com essa desculpa na cabeça em 2026 está abrindo mão do ativo mais valioso que tem: o histórico de comportamento de compra da sua base. Não tem desculpa boa o suficiente para isso.

O que fazer amanhã de manhã

Se você leu até aqui e ainda não tem sistema de dados funcionando na sua loja, aqui está o começo:

Passo 1: levante quantos CPFs você está capturando por mês. Se estiver abaixo de 60% das transações, esse é o problema número 1. Tudo mais vem depois.

Passo 2: com a base que você já tem, separe quem comprou nos últimos 30 dias de quem não comprou. Esses dois grupos precisam de comunicações diferentes agora.

Passo 3: se você tem clube de vantagem, verifique quantos clientes cadastrados usaram o clube em junho. A taxa de uso te diz se o clube está ativado ou só ocupando espaço no cadastro.

Passo 4: mapeie quais categorias caíram em ticket no mês. Provavelmente hortifrúti e proteína animal vão aparecer. Isso te diz onde o cliente está cortando. Cortar junto não é solução. Comunicar valor diferente nessas categorias pode ser.

Esses quatro passos não resolvem o cenário de queda do varejo. Mas te colocam no grupo de mercados que vai sair de julho com dado real na mão.

GM
Gaal Moura

Gaal Moura é fundadora da Coffart, agência especializada em marketing e crescimento para supermercados. Ajuda mercados independentes a usar os dados reais da loja para faturar mais com os clientes que já têm.

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Perguntas frequentes

FAQ

O varejo caiu em junho de 2026 por quê?
O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) registrou queda real de 2,8% em junho de 2026, o pior resultado desde 2020. A causa principal foi a pressão inflacionária sobre a renda das famílias, que reduziu o consumo em categorias discricionárias como lazer e mobilidade.
Como supermercados podem se proteger em cenário de queda do varejo?
Supermercados que operam com dado de cliente, como clube de fidelidade e CRM ativo, conseguem identificar mudanças de comportamento de compra antes que virem problema de caixa. Saber quem sumiu, quem reduziu ticket e quais categorias perderam giro permite agir com comunicação direcionada, não com oferta geral para todo mundo.
O que é o ICVA e por que o supermercadista deve acompanhar?
O ICVA, Índice Cielo do Varejo Ampliado, mede o volume de vendas com cartão no Brasil. É uma das referências mais rápidas de comportamento de consumo e ajuda o supermercadista a entender o contexto do seu mercado regional antes mesmo dos dados do IBGE saírem.
Vale a pena pedir CPF no caixa mesmo quando o cliente reclama?
Sim. O CPF é a base de tudo: sem ele, não existe dado de comportamento de compra, não existe clube funcional, não existe segmentação de campanha. Em cenário de queda de mercado, quem não tem dado não sabe o que está perdendo e fica reagindo no improviso.
Clube de fidelidade ajuda a segurar faturamento quando o mercado cai?
Ajuda quando está ativado. Um clube com cadastro parado não faz nada. Mas quando a loja usa o clube para identificar clientes em risco de desaparecer e comunica com oferta relevante no momento certo, a recorrência se mantém mesmo em cenário adverso.