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Volta às aulas no supermercado: como capturar a família que vai gastar mais nas próximas semanas

GMPor Gaal Moura
·26 de julho de 2026 ·7 min de leitura
Volta às aulas no supermercado: como virar parte da rotina de compras das famílias

Todo ano a mesma cena: agosto chega, as famílias voltam a ter rotina, o movimento muda na loja, e o supermercadista... não muda nada.

Nada na comunicação. Nada no WhatsApp. Nada na oferta. Continua o mesmo encarte genérico de sempre, como se a vida do cliente não tivesse mudado na última semana.

Isso é dinheiro sendo deixado em cima da mesa. E quem vai pegar é o concorrente que entender que volta às aulas não é pauta de papelaria. É pauta de supermercado.

Por que o supermercado precisa entrar nessa conversa

Ferias escolares mexem com a rotina inteira da família. Quando os filhos estão em casa, o comportamento de compra muda: mais lanches, mais suco, mais iogurte, mais pão, mais fruta. E quando a escola volta? Muda de novo.

Café da manhã com hora marcada. Lancheira. Janta que precisa estar pronta antes das aulas. A cesta de agosto não é a mesma de julho. E o cliente que comprava de forma mais dispersa volta a ter frequência e regularidade.

Frequência e regularidade. Duas palavras que deveriam estar tatuadas na cabeça de todo dono de supermercado.

Se a sua loja captura esse cliente no começo de agosto com uma comunicação certa, você entra na rotina dele. E quando você entra na rotina, o gasto médio sobe e o risco de perder para o concorrente cai.

O que muda na cesta de agosto

Não é chute: é o que aparece no dado de quem monitora base de clientes. Cada loja tem a sua realidade, mas em geral o movimento de volta às aulas costuma empurrar:

  • Perecíveis de café da manhã: pão, manteiga, queijo fatiado, iogurte, leite, achocolatado.
  • Lancheira: barra de cereal, fruta, suco de caixinha, biscoito.
  • Hortifrúti da janta: legume, verdura, proteína rápida. A família que não tinha horário agora tem.
  • Congelados práticos: nuggets, empanado, lasanha. Mãe que trabalha fora e precisa de praticidade.
  • Higiene escolar: não é só papelaria. Sabonete líquido, lenço umedecido, álcool gel. Escola pede, família compra no mercado.

Se você puxa o histórico da sua base e vê esses itens subindo em agosto, confirma a sazonalidade. Se não puxa, está operando no escuro.

O erro que a maioria comete: tratar agosto como qualquer mês

O erro mais comum não é fazer algo errado. É não fazer nada diferente.

O supermercado continua com o mesmo encarte, o mesmo post no Instagram, o mesmo disparo de WhatsApp para a base inteira. Como se o contexto de vida do cliente não tivesse mudado.

Resultado: o cliente compra o que precisa, mas não associa a loja à solução daquele momento. Vai no concorrente quando o concorrente acena primeiro.

O segundo erro é tentar entrar na conversa de material escolar. Supermercado não vende caderno. Não tente parecer que vende. Entre pela porta certa: alimentação, praticidade, rotina.

Como capturar a família de volta às aulas

Não é preciso campanha gigante. É preciso comunicação certeira no momento certo.

1. Segmente quem tem filhos na base

Se o seu CRM tem histórico de compra, você consegue identificar clientes que compram lancheira, achocolatado, iogurte infantil, fruta embalada. Esses são os pais. É para eles que a mensagem de volta às aulas precisa ir.

Mandar para toda a base é desperdício de verba e de atenção. Pior: cansa quem não tem filho em escola e não quer receber aquele conteúdo.

2. Construa a oferta em torno da rotina, não do preço

Não é desconto de iogurte que vende mais iogurte em agosto. É a mensagem certa: "a rotina chegou, a gente te ajuda a montar a lancheira sem sair rodando a cidade."

Junte os itens que o pai vai precisar. Iogurte, fruta, biscoito, suco. Mostre o conjunto, não o item isolado. Ticket médio sobe sem precisar de promoção agressiva.

3. Use WhatsApp para ativar antes da semana de volta

O melhor momento para a mensagem é 3 a 5 dias antes da escola abrir. O cliente está comprando material escolar, organizando a casa, pensando em rotina. Quando a mensagem da loja aparece falando de café da manhã e lancheira, ela entra no contexto.

Mensagem fora do momento certo vira ruído. No momento certo, vira venda.

4. Instagram para plantar presença antes de agir

Na semana anterior, plante conteúdo simples: "5 itens para montar a lancheira sem estresse", "café da manhã rápido pra quem volta à rotina", "o que colocar no carrinho essa semana". Não precisa de produção pesada. Precisa de relevância.

O algoritmo do Instagram para supermercados premia conteúdo que o público salva e compartilha. Dica prática de lancheira é exatamente esse tipo de conteúdo.

5. Monte uma ilha ou destaque na loja física

O cliente que entra já está pensando em rotina. Um espaço organizado com os itens de volta às aulas junto, com uma comunicação simples, reduz o trabalho dele e aumenta o ticket sem precisar de oferta.

Como medir se deu resultado

Não é pelo movimento geral de agosto. É pela comparação dentro da base segmentada.

  • Clientes com perfil de família que receberam a comunicação compraram mais que os que não receberam?
  • O ticket médio dos itens de lancheira subiu na semana de volta às aulas?
  • A frequência do mês seguinte (setembro) manteve ou caiu? Cliente que entrou na rotina em agosto tende a manter.

Se o seu CRM não te deixa ver isso, a conversa que precisa acontecer não é sobre volta às aulas. É sobre ferramenta.

O que fazer amanhã

  1. Puxe do seu sistema os clientes que compram iogurte, achocolatado ou fruta embalada com frequência. Esse é o público.
  2. Escreva uma mensagem de WhatsApp para essa lista, falando de café da manhã e lancheira, sem desconto agressivo. Mande 4 dias antes da escola abrir.
  3. Planeje um post no Instagram essa semana sobre rotina de volta às aulas. Simples, prático, com item real da gôndola.
  4. Monte um destaque na loja física com os itens de lancheira juntos.

Não precisa de budget extra. Precisa de atenção no momento certo.

Volta às aulas é a oportunidade de entrar na rotina de famílias que vão comprar regularmente por meses. O supermercado que entender isso primeiro não vai brigar por preço. Vai brigar por relevância. E relevância não tem guerra.

GM
Gaal Moura

Gaal Moura é fundadora da Coffart, agência especializada em marketing e CRM para supermercados.

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Perguntas frequentes

FAQ

Supermercado pode vender mais na volta às aulas?
Sim. Volta às aulas muda o comportamento de compra das famílias: café da manhã com horário fixo, lancheira, jantar prático. O supermercado que comunicar os itens certos no momento certo entra na rotina do cliente e aumenta frequência e ticket médio.
Quais produtos focar na volta às aulas no supermercado?
Itens de café da manhã (pão, manteiga, queijo, iogurte, leite, achocolatado), lancheira (fruta, biscoito, suco de caixinha, barra de cereal), congelados práticos e hortifrúti de janta rápida. O mix muda de acordo com o histórico da sua base.
Como segmentar os clientes certos para a campanha de volta às aulas?
Pelo histórico de compra: clientes que compram iogurte infantil, achocolatado, fruta embalada ou biscoito com frequência têm alta probabilidade de ter filhos em escola. Com um CRM, essa segmentação é automática e muito mais eficaz do que disparar para toda a base.
Qual é o melhor momento para disparar a comunicação de volta às aulas?
De 3 a 5 dias antes da escola abrir. O cliente está organizando a rotina, comprando material escolar e pensando em alimentação. A mensagem certa nesse momento tem muito mais chance de converter do que disparos fora do contexto.
Preciso de desconto para vender mais na volta às aulas?
Não necessariamente. A estratégia mais eficaz não é desconto isolado, mas agrupamento de itens (iogurte, fruta, biscoito juntos) com comunicação contextual. Isso sobe o ticket sem destruir margem.